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Teolinda Gersão, uma das mais importantes contistas e romancistas da literatura portuguesa contemporânea, lança no Brasil ‘A Cidade de Ulisses’, pela Editora Oficina Raquel. A escritora cumprirá uma agenda de palestras e lançamentos do livro em São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Petrópolis e no Rio de Janeiro.

‘A Cidade de Ulisses’ é uma história de amor entre os personagens Paulo Vaz e Cecília Branco que entrecruza com episódios da História de Portugal e o universo das artes visuais. No centro de tudo está Lisboa, cidade que motiva uma narrativa mítica, assim como a origem do título do romance, inspirada na lenda que Lisboa foi fundada por Ulisses ‒ personagem de Homero, protagonista da Odisseia ‒, durante sua viagem de volta para Ítaca e seu grande amor, Penélope.

O acadêmico Antônio Torres comemora a edição do livro. “Finalmente chega ao Brasil um dos mais belos exemplos do alto nível que vem atingindo a literatura portuguesa contemporânea, na qual Teolinda Gersão se destaca como uma de suas vozes mais encantadoras. Em A Cidade de Ulisses ela nos conduz prazerosamente por uma Lisboa reinventada, enquanto nos conta uma comovente história de amor, que nos arrebata pela sua escrita primorosa, fascinante.”

No contexto das ligações do casal, a escritora aborda problemáticas das relações humanas: o amor, a liberdade, a identidade, a opressão, a criatividade, entre outros. Paulo Vaz, artista plástico, é convidado a fazer uma exposição sobre Lisboa e esse convite o faz recordar de Cecília com quem viveu um grande amor nos anos de 1980.

O texto segue até os dias atuais e examina as dificuldades que Portugal vem enfrentando nas últimas décadas, os vícios cometidos pelas elites históricas portuguesas e pelas atuais elites financeiras internacionais, revisitando uma Lisboa antiga e moderna. As ideias de corrupção e de incompetência dos governantes fluem no curso do livro.

Há, entretanto, uma mensagem implícita à narrativa, de confiança nas criatividades artística, humana e técnica para resolver os problemas atuais da sociedade portuguesa e das pessoas de modo geral. O livro deixa uma mensagem de esperança nesta era de incertezas.

“De toda a obra da Teolinda, optamos por editar ‘A Cidade de Ulisses’ porque reconhecemos no romance uma marca de universalidade. Além de Portugal, o livro é sucesso na Itália e nos Estados Unidos. E nós brasileiros ainda desenvolvemos essa estreita relação com Lisboa, explica Raquel Menezes, editora da Oficina Raquel.

A escritora acredita que ‘A cidade de Ulisses’ encontrará no leitor brasileiro um leitor especial. E o romance se conclui exatamente em terras brasileiras.

A edição de ‘A Cidade de Ulisses’ publicada no Brasil é apresentada no português de Portugal e não segue o acordo ortográfico, Teolinda Gersão se posiciona contrariamente à universalização da escrita da língua portuguesa.

Teolinda Gersão

TEOLINDA GERSÃO

A obra de Teolinda Gersão é consagrada em Portugal – onde tem marcado o panorama literário nos últimos 35 anos – e no estrangeiro, com livros traduzidos para onze línguas. Alguns críticos enxergam similitude literária de Teolinda com a escrita de José Saramago, no tom coloquial, que transparece em frases populares e provérbios que utiliza nas suas narrativas, aproximando o escritor do leitor.

Teolinda foi professora na Faculdade de Letras e depois na Universidade Nova, ambas em Lisboa, na cadeira de Literatura Alemã e Literatura Comparada, até 1995. Estudou na Alemanha e também viveu no Brasil. Recebeu vários Prêmios Literários, entre eles Grande Prêmio de Romance e Novela da APE (1995), Prêmio de Ficção do Pen Club (1981 e 1989), Prêmio Fernando Namora (1999) e Prêmio Vergílio Ferreira (2016).

A autora publicou Prantos, amores e outros desvarios (2016), Passagens (2014), As águas livres (2013), A cidade de Ulisses (2011), A mulher que prendeu a chuva (2007), Histórias de ver e andar (2003), O mensageiro e outras histórias com anjos (2003), Os teclados & três histórias com anjos (2012), Os anjos (2000), Os teclados (1999), A árvore das palavras (1997), A casa da cabeça de cavalo (1995), O cavalo de sol (1989), Os guarda-chuvas cintilantes (1984), História do homem na gaiola e do pássaro encarnado (1982), Paisagem com mulher e mar ao fundo (1982) e O silêncio (1981).